Variáveis psicológicas que influenciam negativamente o câncer

As primeiras referências que vinculavam o câncer a fatores psicossociais apareceram no século XIX com Snow, um médico de Londres que analisou mais de 250 histórias clínicas do Hospital do Câncer de Londres.

No mínimo 156 casos tinham precedentes de problemas afetivos em relação a perdas.

Com o que a ciência sabe atualmente, há vários fatores e condutas associadas ao risco de sofrer de câncer e de alterar a sobrevivência ou, dito de outra forma, provocar uma evolução ou outra.

Dentro daqueles fatores e condutas que incidem no início do câncer podemos fazer a distinção entre os que são de efeito direto, como o estresse, e os que são de efeito indireto, como o tabaco, o álcool, a dieta, os carcinogênicos ocupacionais ou a conduta sexual.

O estresse

As pesquisas científicas classificam como indiscutível o efeito do estresse sobre a ativação dos processos cancerígenos que comentamos anteriormente.

De forma concreta, a perda de alguém querido, a hospitalização ou doença de alguém próximo, os problemas cirúrgicos ou o desemprego são situações que facilitam a desestabilização e o surgimento do câncer.

O consumo de tabaco, o álcool, a dieta, os carcinogênicos ocupacionais e a conduta sexual inadequada.

Cada um dos fatores que encabeçam este título são potencializadores do câncer. Talvez a conduta menos conhecida é a que ocorre no plano sexual de maneira inadequada, como, por exemplo, mantendo relações sexuais sem proteção.

No caso das variáveis que incidem na progressão do câncer, encontramos também algumas que exercem efeitos diretos (desamparo, desesperança, depressão) e outras que o fazem de maneira indireta (detecção tardia, não cumprimento do tratamento, ou escassez de apoio social).

Desamparo, desesperança e depressão

De acordo com as pesquisas mencionadas anteriormente, as pessoas altamente cooperativas, defensivas, extremamente pacientes e incapazes de expressas adequadamente suas emoções são mais propensas a ter uma evolução pior do câncer.

As evidências são de que a inibição, repressão e negação de emoções, como a ira, são altamente prejudiciais para uma boa evolução da doença que estamos tratando.

Além disso, a incapacidade ou dificuldade para enfrentar de maneira ativa as situações de estresse e nos vincularmos a sentimentos de desamparo, desesperança e depressão é um fator prejudicial para a cura do câncer.

Os estudos concluem que a maior possibilidade de agravar o câncer surge de uma combinação do chamado do estresse com o padrão de personalidade tipo 1.

Este padrão de personalidade se caracteriza por um elevado grau de dependência em relação a alguém ou algo, assim como uma inibição para estabelecer a intimidade emocional com estas pessoas.

Acredita-se que isso se deva a um aumento nos níveis de cortisol, substância que favorece a imunossupressão e favorece assim o desenvolvimento tumoral.

Uma vez comentadas aquelas questões que nos prejudicam, é a hora de saber quais variáveis psicológicas devemos cultivar para frear tanto o surgimento quanto o desenvolvimento do câncer.

Vejamos algumas delas:

  • Aquelas estratégias de enfrentamento das dificuldades vitais que nos ajudarem a aumentar nossa autoestima, reduzir a depressãoe garantir a diminuição do cortisol associado ao estresse.
  • Manter um estilo de vida equilibrado que nos mantenha longe do estresse, garantindo assim níveis saudáveis de cortisol.
  • Trabalhar para poder obter um elevado grau de autonomia pessoal própria e alheia.Em outras palavras, não depender em excesso de nada nem ninguém para sermos felizes, somente de nós mesmos.
  • Estabelecer boas relações com aqueles que nos rodeiam.
  • Deixar de fumar, de ingerir álcool, de nos expor ao sol e a elementos carcinogênicos em excesso.
  • Não estabelecer contatos sexuais pouco saudáveis.
  • Consumir alimentos ricos em fibras e manter uma dieta saudável e equilibrada.
  • Caminhar e fazer exercícios diariamenteque nos ajudem a manter o corpo e a mente ativos.

Esperamos que estas informações possam ser de muita utilidade e que muito em breve possamos nos aproximar de novos avanços nas pesquisas contra o câncer.

Fonte: Melhor com Saúde