Olá pessoal, quero dedicar este artigo do meu blog para o relato de uma guerreira que tive a oportunidade de conhecer na radioterapia. Uma mulher alegre e de bem com a vida. Abaixo o relato escrito pela própria guerreira sobre sua experiência e sentimentos vividos durante a quimioterapia.

¨ Mal me recuperei da cirurgia e fui encaminhada para a temida quimioterapia, entrei na sala e estava cheia. 
Comecei a receber os medicamentos pelo meio intravenoso e olhei a minha direita e havia uma menina linda. Parecia a Cinderela.

Jovem de olhos azuis, mas eu podia ver sob o chapéu de crochê que seu cabelo estava ralo. Esta jovem parecia muito amargurada.

A minha esquerda outra mulher, parecia mais alegre e falante que se chamava Bete. Ela então me contou sua história. Colocou a mão sobre o seio e disse “ele ainda está aqui!”. Depois de muitos ciclos de quimioterapia ela comemorou com bolo e festa o fim desta etapa para finalmente poder retirar o tumor. 
Pensei comigo: há casos piores. 
 
A “Cinderela” aos poucos foi se soltando. Depois compreendi sua amargura. Ela tinha linfoma, um tipo de câncer nos linfonodos. O mesmo do ator Gianecchini. Os linfonodos estão espalhados pelo corpo todo e não dá para retirar todos. Ela descobriu a doença enquanto estava grávida. Antes de ganhar o bebe começou uma pesada quimioterapia. A maioria não sabe, mas a quimioterapia após o primeiro trimestre não prejudica o bebe. Poucos meses depois descobriu que a doença voltou. Ela estava na recidiva. Tinha um bebe pra cuidar. 
Então, olhei pra mim e pensei: pior que descobrir que está com câncer é descobrir que ele voltou. Vou pensar: este medicamento irá matar todas as “sementes” que este tumor possa ter espalhado pelo meu corpo. Foi com este pensamento que entrei na quimioterapia todas as vezes.
 
Mas mesmo este otimismo não impediu que eu fosse internada logo em seguida porque tive leucopenia febril (a imunidade caiu tanto que se tornou perigosa, acompanhada de infecção e febre). A internação foi um balde de água fria no meu ânimo. Saí do hospital deprimida, emocionalmente destruída. Meus filhos estavam tristes pois não pude ver as crianças durante todo este tempo. Eles não queriam falar comigo ao telefone. Estavam muito sentidos, queriam me ver.
 
Mas não desisti. Fiz caminhadas todas as manhãs pegando o sol bem cedinho. Cuidei da alimentação, leve e saudável. Hidratei meu corpo tentando “lavar por dentro” aquele medicamento (a única maneira de eliminar o excesso do medicamento é pela urina). Fiz alongamentos todos os dias.  Descansei quando o corpo pedia. Reencontrei pessoas queridas. Fiz um calendário para meus filhos acompanharem. 
Eles, e eu, sabiam que tinha início mas também tinha fim.
 
O cabelo? Bem, diante do sopro da morte nada que fosse temporário iria tirar minha alegria de viver. Uma peruca resolveu o problema sem maiores dramas. ¨
 
Guerreira, fica aqui o meu grande abraço e que possamos continuar firmes e fortes nesta luta contra o câncer.
Um grande abraço para você e a todas as mulheres que enfrentaram e/ou estão enfrentando a temida QUIMIOTERAPIA.
 
 
 
Reflexão:
 
É tão bom ter a oportunidade de conhecer pessoas especiais em momentos delicados de nossas vidas, estes encontros nos fortalecem e nos dá a chance de sermos seres humanos melhores.